Como calcular o preço da mão de obra na oficina
O valor da hora da oficina não deve ser copiado do vizinho. Ele sai dos seus custos, das horas que você realmente vende e da margem que você precisa. Veja a conta passo a passo, com exemplo.
Neste artigo
- Por que não copiar o preço da concorrência
- Passo 1: some os custos fixos do mês
- Passo 2: calcule as horas que você realmente vende
- Passo 3: encontre o custo por hora
- Passo 4: inclua impostos, comissão e lucro
- Passo 5: transforme a hora em preço de serviço
- Peças, materiais e serviços pequenos
- Como saber se o preço está funcionando
- Resumo
"Quanto você cobra a hora?" Muita oficina responde com o número que ouviu do vizinho ou com o que cobrava há cinco anos. O problema é que a oficina do vizinho tem outro aluguel, outra equipe e outros equipamentos. E os seus custos de cinco anos atrás não são os de hoje.
Calcular o preço da mão de obra é descobrir quanto custa cada hora de trabalho que você vende e quanto precisa ganhar em cima dela. Neste artigo você vai ver a conta passo a passo, com um exemplo completo, e como usar o valor da hora para montar o preço de cada serviço.
Por que não copiar o preço da concorrência
Olhar o preço da região é útil para saber se você está muito acima ou muito abaixo. Mas usar esse número como base é arriscado:
- Se os seus custos são maiores, você trabalha muito e não sobra nada;
- Se o seu serviço tem mais estrutura (diagnóstico, equipamentos, garantia), você cobra menos do que vale;
- Você não sabe se a outra oficina está lucrando ou só sobrevivendo.
O caminho certo é o contrário: primeiro calcular o seu preço pelos seus números, depois comparar com o mercado e decidir. Se o seu preço calculado ficar bem acima da região, o problema pode estar nos custos ou nas horas paradas, e não no preço. Se ficar abaixo, talvez você esteja deixando dinheiro na mesa.
Passo 1: some os custos fixos do mês
Custos fixos são os que existem mesmo que nenhum carro entre na oficina. Pegue os valores de alguns meses e faça uma média. Inclua:
- Aluguel, IPTU e condomínio;
- Salários e encargos da equipe (mecânicos, balcão, administrativo). Confirme os encargos com seu contador;
- Pró-labore do dono: o seu trabalho também tem custo;
- Energia, água, internet e telefone;
- Contador, sistema, seguros, taxas e alvarás;
- Manutenção e reposição de ferramentas e equipamentos (elevador, scanner, compressor);
- Parcelas de financiamento de equipamentos.
Não esqueça os custos que aparecem só algumas vezes por ano, como 13º, férias, licenças e manutenção de equipamentos. Divida o valor anual por 12 e some no mês.
Se as contas a pagar estiverem bem registradas, essa soma sai rápido. Se não estiverem, comece por aí; o artigo fluxo de caixa na oficina mecânica mostra como organizar.
Passo 2: calcule as horas que você realmente vende
Este é o passo que a maioria erra. Nenhum mecânico vende 100% do tempo que passa na oficina. Existe tempo de buscar peça, esperar aprovação do cliente, limpar, testar, refazer e simplesmente não ter carro para fazer.
A conta tem duas partes:
- Horas disponíveis: número de mecânicos x horas por dia x dias trabalhados no mês.
- Horas vendidas: as horas disponíveis multiplicadas pela parte do tempo que de fato vira serviço cobrado (a taxa de ocupação).
A taxa de ocupação muda muito de uma oficina para outra. O melhor é medir a sua: some as horas de mão de obra cobradas nas ordens de serviço de um mês e divida pelas horas disponíveis. Se não tiver esse dado ainda, use uma estimativa conservadora e corrija depois.
Passo 3: encontre o custo por hora
Divida os custos fixos do mês pelas horas vendidas. O resultado é quanto cada hora vendida precisa pagar só para cobrir a estrutura.
| Item (valores de exemplo) | Valor |
|---|---|
| Custos fixos do mês | R$ 30.000,00 |
| Mecânicos | 3 |
| Horas disponíveis (3 x 8 h x 22 dias) | 528 h |
| Taxa de ocupação estimada | 70% |
| Horas vendidas (528 x 70%) | cerca de 370 h |
| Custo por hora (30.000 ÷ 370) | R$ 81,08 |
Os números acima são apenas um exemplo para mostrar a conta. Use os custos e as horas da sua oficina.
Passo 4: inclua impostos, comissão e lucro
O custo por hora ainda não é o preço. Sobre o valor cobrado do cliente incidem outros itens que variam com o faturamento:
- Impostos sobre o serviço: dependem do regime tributário e da cidade. Peça ao seu contador o percentual que você paga;
- Comissão do mecânico, se ela for calculada sobre a mão de obra (veja como calcular comissão de mecânicos);
- Taxas de cartão, se boa parte dos clientes paga assim;
- Lucro desejado: o que precisa sobrar para reinvestir e criar reserva.
Como esses itens são percentuais do preço final, a conta certa é dividir, e não multiplicar:
Preço da hora = custo por hora ÷ (1 − soma dos percentuais)
| Item (valores de exemplo) | Percentual |
|---|---|
| Impostos (confirme com o contador) | 6% |
| Comissão do mecânico | 10% |
| Lucro desejado | 20% |
| Soma | 36% |
| Preço da hora (81,08 ÷ 0,64) | cerca de R$ 126,70 |
Atenção ao erro mais comum: somar 36% em cima do custo (81,08 x 1,36 = R$ 110,27) parece igual, mas não é. Nesse caso, depois de pagar impostos e comissão, o lucro fica bem abaixo dos 20% que você queria.
Passo 5: transforme a hora em preço de serviço
O cliente raramente quer saber da hora. Ele quer saber quanto custa trocar as pastilhas ou fazer a correia. Para isso, monte uma tabela de tempos com os serviços que mais entram na sua oficina:
| Serviço (exemplo) | Tempo padrão | Mão de obra (hora de R$ 126,70) |
|---|---|---|
| Troca de óleo e filtro | 0,5 h | R$ 63,35 |
| Troca de pastilhas dianteiras | 1 h | R$ 126,70 |
| Troca de amortecedores dianteiros | 2,5 h | R$ 316,75 |
Os tempos acima são ilustrativos. O tempo real varia com o modelo do veículo, o acesso às peças e a experiência do mecânico. Meça na sua oficina e ajuste a tabela com o tempo médio de cada serviço.
Com a tabela pronta, o balcão passa a dar preço com segurança e o orçamento sai mais rápido. Veja como apresentar isso ao cliente em orçamento de oficina que o cliente aprova.
Serviços de diagnóstico
Diagnóstico com scanner, teste de rodagem e procura de defeito elétrico consomem tempo e equipamento. Defina um valor mínimo de diagnóstico e combine antes com o cliente se ele será abatido caso o serviço seja aprovado.
Peças, materiais e serviços pequenos
Algumas regras para o preço não vazar:
- Peças são cobradas à parte, com margem própria sobre o custo de compra. Não misture com o valor da hora;
- Materiais de consumo (estopa, desengraxante, abraçadeiras) podem entrar como item na O.S. ou numa taxa definida por você;
- Serviços muito rápidos também ocupam o elevador e o mecânico. Defina um tempo mínimo de cobrança. O artigo sobre troca de óleo e lucro mostra essa conta num serviço do dia a dia.
Como saber se o preço está funcionando
O cálculo é feito com estimativas. Por isso, confira todo mês:
- Horas vendidas reais comparadas com as usadas na conta;
- Lucro por ordem de serviço: valor cobrado menos o custo das peças e a comissão;
- Resultado do mês: o que entrou menos tudo o que saiu.
Se as horas vendidas ficaram abaixo do previsto, o custo por hora real foi maior e o lucro, menor. Com um sistema que mostra o lucro de cada O.S. e o faturamento do período, essa conferência leva minutos em vez de uma tarde de planilha.
Resumo
Para calcular o preço da mão de obra, some os custos fixos do mês, descubra quantas horas a oficina realmente vende e divida uma coisa pela outra. Depois, inclua impostos, comissão e lucro dividindo o custo por (1 − percentuais), e não multiplicando. Use o valor da hora numa tabela de tempos para dar preço por serviço, cobre peças à parte e revise a conta sempre que seus custos ou suas horas vendidas mudarem.
Perguntas frequentes
Qual é o valor médio da hora de mão de obra em oficina?
Não existe um valor único. Ele varia com a cidade, o tipo de serviço, os equipamentos e os custos de cada oficina. Use o preço da região só como referência e calcule o seu a partir dos seus custos e das horas que você realmente vende.
É melhor cobrar por hora ou por serviço?
Para o cliente, o preço por serviço é mais fácil de entender. Para a oficina, o mais seguro é montar esse preço a partir do tempo padrão do serviço multiplicado pelo valor da hora. Assim você fala em preço fechado sem perder dinheiro.
Devo colocar o custo das peças no valor da hora?
Não. Peças têm custo e margem próprios e são cobradas à parte. O valor da hora deve cobrir os custos da estrutura e da equipe, os impostos, a comissão e o lucro do serviço.
De quanto em quanto tempo revisar o valor da hora?
Revise sempre que os custos mudarem bastante, como novo aluguel, novo funcionário ou reajuste de salários, e pelo menos uma vez por ano. Compare também as horas vendidas no mês com as que você usou na conta.